Nesta última quarta-feira fui procurado por Alexandre Salvador, repórter de Veja. Conversamos demoradamente em torno da sua pauta: AEROPORTO DE SÃO GONÇALO DO AMARANTE cuja etapa preparatória para lançamento do processo de concessão privada - a primeira em aeroportos no Brasil - foi objeto de intenso trabalho nos últimos anos. Representei o Governo do RN no Grupo criado na Presidência da República para conduzir o processo.
A pauta de Salvador virou matéria de capa na edição desta semana da revista mais importante do País.
A abordagem de VEJA (abaixo), tratando o projeto como exemplo, dá bem a noção do êxito do nosso trabalho, complexo, profundo, de convencimento de setores do governo (inclusive os militares) de que este é o melhor modelo - não só para o Rio Grande do Norte - mas para o País.
O próprio Ministro Nelson Jobim, que inicialmente esboçava resistências, terminou sendo um dos apoiadores da modelagem. Tanto que já emitiu uma Exposição de Motivos propondo ao Presidente Lula a edição do Decreto de regulamentação que, aliás, deve ser publicado nas próximas horas, dando o tão esperado ponta-pé inicial ao processo de concessão, levando-nos mais rapidamente à conclusão das obras.
A matéria de Veja, por sua postura isenta e pela sua magnitude, é mais um atestado de ACERTO que os Governos Wilma e Lula obtiveram.
Quanto a mim, permita-me uma pontinha de orgulho e de satisfação, relembrando o diálogo que tivemos eu, a Governadora Wilma e a Ministra Dilma Roussef, quando ficamos avaliando e discutindo a melhor forma de viabilizar o Aeroporto. Propus entregar o assunto para um banco de desenvolvimento - que "poderia ser o Banco do Nordeste" - sugeri. E a Ministra rapidamente assentiu, corrigindo:
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| Reuniões com a Min. Dilma (clique sobre a imagem para ampliá-la) |
No final da reunião a Ministra ainda me distinguiu:
- Vem cá: você é economista, é?
- Não, Ministra. Sou contador... - retoquei.
E ela:
- Ah bom. Porque você pensou como economista agora (risos).
E se dirigindo à Governadora, disse com a sua linguagem direta e objetiva:
- Wilma, bota ele para ficar acompanhando este assunto no BNDES. E vou designá-lo para fazer parte de um grupo de trabalho que estamos criando aqui na Casa Civil da Presidência para conduzir este assunto com o foco que ele merece.
TRANSCRIÇÃO DO BOX DA MATÉRIA DE VEJA sobre o Aeroporto de São Gonçalo:
Um bom exemplo em Natal
Natal, a capital do Rio Grande do Norte, vai ganhar até 2012 um aeroporto exemplar. Localizado em São Gonçalo do Amarante, terá capacidade inicial de 5 milhões de passageiros e 500 000 toneladas de carga por ano.
Sua vocação é se tornar o quarto hub – centro de irradiação de voos para outros aeroportos – do Brasil.
Hoje, há apenas três aeroportos no país que funcionam como hubs, os de Guarulhos, Congonhas e Brasília.
A grande novidade do novo aeroporto de Natal, contudo, é que ele será o primeiro do Brasil que escapará da gerência ruinosa da Infraero.
A pista foi construída pelas Forças Armadas, mas a missão de erguer o terminal e administrar o aeroporto será entregue à iniciativa privada, em regime de concessão.
Há duas semanas, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, enviou ao presidente Lula uma proposta nesse sentido.
O documento diz que a concessionária responderia diretamente à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e teria autorização para explorar comercialmente o aeroporto por 35 anos, com possibilidade de renovação pelo mesmo período.
No momento, está em construção um aeroporto novo em Macapá, capital do Amapá.
O último aeroporto de grande porte construído no Brasil foi o de Palmas, capital do Tocantins.
As demais obras aeroportuárias tocadas pela Infraero são pouco mais que remendos em instalações já saturadas, cujo resultado não deve causar alívio duradouro no congestionamento dos aeroportos.
Embora a ideia de privatizar qualquer órgão público cause arrepios na administração petista, entregar o aeroporto de Natal à iniciativa privada foi a única alternativa para que ele entre em funcionamento até a Copa do Mundo de 2014.
Ele só não é o marco inicial de uma revolução porque o governo não pretende repetir a concessão com outros aeroportos.
O ministro Jobim deixa claro que o aeroporto de Natal é uma exceção: "Durante este ano eleitoral, não haverá concessões. Isso aí deixa para o governo seguinte decidir sobre o assunto".









