A história do petróleo no Rio Grande do Norte


São 15 municípios produtores de petróleo e gás natural no Rio Grande do Norte, com um investimento, entre 1976-2001, de 13,9 bilhões de dólares e o plano de desenvolvimento “Petrobras 2010 – Crescimento, Rentabilidade e Responsabilidade Social”. Esses municípios são: Alto do Rodrigues, Apodi, Areia Branca, Assu, Caraúbas, Carnaubais, Felipe Guerra, Governador Dix Sept Rosado, Guamaré, Macau, Mossoró, Pendências, Porto do Mangue, Serra do Mel e Upanema.

Historia

Na segunda metade do século 19, o padre Florêncio Gomes de Oliveira, enviou uma carta ao cientista francês Jacques Brunet, pedindo que visitasse o Rio Grande do Norte para ver a ocorrência de betume que ele tinha visto na lagoa do Apodi.
Em 1943, teve início as pesquisas no Rio Grande do Norte. Alguns poços foram perfurados, mas mostraram apenas vestígios de óleo. Na década de 1950, o deputado Floriano Bezerra mantinha o jornal O Nacionalista, no qual o slogan era O Petróleo é Nosso. Ele reivindicou pesquisas no município de Macau, muito antes de ser descoberto petróleo nessa região.
Em 1966, o prefeito de Mossoró contratou uma firma para abrir um poço d’água, supervisionado pelo geólogo Lúcio Cavalcante, na praça Pe. João Mota. O poço jorrou petróleo misturado com água e serviu de combustível para as lamparinas da população pobre “durante meses”.Vinte anos depois, quando alguns estados já produziam petróleo com sucesso, foi descoberto o campo marítimo de Ubarana, em Macau-RN.
O primeiro poço perfurado (G-1-RN) da Bacia Potiguar Terrestre foi em Gangorra, no município de Grossos, em 1956. Na Bacia Potiguar Marítima, o primeiro poço foi o RNS-1, em Ubarana, costa de Macau, em 1973. Os dois deram sinais da existência de óleo e gás, porém em quantidade não comercial.
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A partir de março de 1974, o presidente Ernesto Geisel, autorizou a Petrobras a intensificar suas pesquisas em todo território nacional, na tentativa de reduzir as importações das arábias. A crise do petróleo surgiu com a guerra entre Israel e Síria, envolvendo a então União Soviética e os Estados Unidos numa “guerra fria”. Os países árabes, contra Israel e o Ocidente, resolveram quadruplicar o preço do petróleo e reduziu sua produção em 5% ao ano. Foi durante essa crise do petróleo que, em 1974, chegou a primeira plataforma continental na costa de Macau. Em 1975 o poço marítimo RNS-3 já estava produzindo, com direito a visita do presidente da República, Geisel, e o seu ministro das Minas e Energias.
A revista VEJA, de 10 de abril de 1974, noticiou a descoberta oficial da jazida de Macau, “(...) recentemente localizada, poderá, sozinha, dobrar o volume de reservas nacionais conhecidas” Foi dito ainda que o projeto seguinte da Petrobras era abrir mais 1.223 postos de serviços e 120 filiais, “o que lhe garante já o domínio de mais de 35% do mercado nacional.” Entre junho e outubro de 1975, jorrou petróleo nas torneiras das residências de Mossoró, em dois bairros. Com essa notícia, a Petrobras perfurou vários poços naquele município, com resultados negativos. Em 1976 foi criado o DIGUAR (Distrito de Produção da Bacia Potiguar), abrangendo o Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, com sede em Natal.
Em 1979, quando perfuraram os poços de água para o abastecimento das piscinas térmicas do hotel Thermas, em Mossoró, apareceu petróleo novamente, desta vez em maior quantidade. O poço MO-13 originou o campo de Mossoró, em 1979. No início de 1980 foi perfurado com sucesso o poço Mossoró-14, o primeiro poço terrestre comercialmente viável do Rio Grande do Norte .
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As perfurações de poços terrestres foram intensificadas no início da década de 80, nos municípios de Macau, Areia Branca, Alto do Rodrigues e Mossoró.
Em 1987 foi criada a RPNS (Região de Produção do Nordeste Setentrional), em substituição a DIGUAR.
Em 1995 a Petrobrás fez nova mudança: substituiu RPNS por E&P-RN/CE (Exploração e Produção do Rio Grande do Norte e Ceará), resultante da reestruturação das atividades de exploração, perfuração e produção, anteriormente departamentalizadas. No ano 2000, mudou novamente a sigla: agora se chama UN-RNCE (Unidade de Negócios do Rio Grande do Norte e Ceará).
Em 1994 o Rio Grande do Norte atingiu a marca de 2º maior produtor de petróleo do Brasil; o 1º em produção terrestre.
Até 1997 as atividades de petróleo eram de monopólio da União, quando foram modificadas pela lei que regulamenta esse setor. Hoje a exploração de petróleo está sob o controle da ANP – Agência Nacional de Petróleo. O Rio Grande do Norte e Ceará produzem cerca 103 mil barris de petróleo por dia, sendo 85% dessa produção dos campos terrestres. 4 milhões de metros cúbicos por dia, é a marca da produção do gás natural, com previsão de elevação para 6 milhões m3/d; têm 556 quilômetros de oleodutos, 542 quilômetros de gasoduto e mais de 500 quilômetros de rede elétrica de alta tensão.

Yes, Nós Temos Petróleo

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As reservas provadas no Rio Grande do Norte e Ceará são de 401,2 milhões de barris de petróleo e 16,4 milhões de metros cúbicos de gás. Nessa região, no ano 2000, havia mais de 4.000 poços perfurados em terra e mais de 200 no mar.
A Petrobras fabrica três produtos, no RN: Gás Natural (3,76 milhões de metros cúbicos/dia), GLP (Gás Liquefeito de Petróleo - 334 toneladas/dia) e Óleo Diesel (4,5 mil barris/dia - 1 barril equivale a 159 litros), fracionados do petróleo bruto (103.000 barris/dia e previsão para 140 mil barris em 2005) das seguintes instalações: 23 plataformas marítimas, 62 campos terrestres, cerca de 5.000 poços e 67 estações coletoras.
Os principais clientes do petróleo do Rio Grande do Norte são as refinarias existentes em outros Estados do Brasil. O gás natural, o óleo diesel e o GLP são consumidos pelos estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e Pernambuco.

Royalty

O royalty é uma compensação paga ao Estados, Municípios, Ministério da Marinha e Ministério da Ciência e Tecnologia, sobre a produção de petróleo e gás natural. Os royalties são repassados para 15 municípios produtores do Rio Grande do Norte. No ano de 2001, o Estado recebeu 90,1 milhões de reais; os municípios que mais receberam: Guamaré - R$ 6,9 milhões; Mossoró – 6,3 milhões; Macau - R$ 5,6 milhões; Areia Branca - R$ 5,4 milhões e Apodi – 2,6 milhões.
No repasse mensal realizado em dezembro de 2001, Mossoró recebeu R$ 607 mil; Guamaré R$ 523 mil; Areia Branca R$ 473 mil; Macau R$ 400 mil; e Apodi R$ 167 mil.

Pólo Industrial De Guamaré

A separação do gás de petróleo é feita sob pressão e temperatura através de vasos separadores, tratadores e torres, gerando uma vasta lista de derivados. Desde o início da produção no Rio Grande do Norte, o gás de petróleo era desperdiçado.
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A partir de 1983 foi construído o Pólo Industrial de Guamaré, em várias fases, composto principalmente pela ECUB (Estação de Compressores de Ubarana) e UPGN (Unidade de Processamento de Gás Natural). Em 1995 já eram produzidos 29 mil botijões de gás de cozinha por dia, deixando o Estado auto-suficiente. Em 2000, foi construída uma unidade de processamento de óleo diesel. Há, ainda, um projeto para fabricação de querosene de aviação prevista para o início do século 21. Iniciou-se a luta pela refinaria potiguar que viria a ser implantada no governo Lula.

Integração Petrobras/Comunidades

Durante a segunda metade da década de 1990, foram cedidos 222 poços para água, construídos vários chafarizes e caixas d’água e entregues as comunidades dos vales do Açu e Mossoró, disponibilizando mais de 700 mil litros d'água por dia.
O sistema de transmissão e recepção da telecomunicação da Petrobras, instalada na serra do Mangue Seco (Guamaré), disponibiliza as comunidades vizinhas a retransmissão do sinal de TV e, em convênio com a Telemar, permite o sinal da telefonia celular na região, inclusive no Alto do Rodrigues.
Foi construída a estrada RN-408 (ligando a RN-118 a RN-016 - Alto do Rodrigues/Carnaubais); construção da "Estrada do Óleo", assim conhecida a rodovia de 63 km, que liga Guamaré a Alto do Rodrigues, cruzando a BR-406; recuperados 35 km da rodovia RN-016 (Carnaubais/Assú); reconstruída a rodovia RN-117 (Mossoró/Carnaubais) e da RN-118 (Macau/Assú), totalizando 144 km, em convênio com o DER; construção de pontes metálicas em Upanema, Alto do Rodrigues, Governador Dix Sept Rosado e na RN-408.
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A maior preocupação da Petrobras é com a preservação da natureza, já que a exploração de petróleo é agressiva ao meio ambiente. Todos os meios possíveis são aplicados para minimizar o impacto, inclusive o benefício de manutenção de vários projetos públicos, como a preservação do Lajedo de Soledade, um importante sítio arqueológico no município de Apodi; do Cajueiro de Pirangi, o maior do mundo; Programa da Criança; Programa de Hortas Comunitárias; Programa Terra Pronta; Programa de Coleta Seletiva do Lixo; Programa de Educação Ambiental; Organização da Semana do Meio Ambiente e construiu aterros sanitários em vários municípios. Em 2002, se erguia o prédio do “Porto de Ama – Centro Petrobras de Cultura”, na cidade de Macau, no local onde existiu o Centro Social Pio XI.

Do Poço Ao Posto

Para determinar onde vai ser perfurado um poço de petróleo, há todo um trabalho de geologia e geofísica. É a primeira fase do trabalho. Através de emissão de som (explosão) registrando graficamente as camadas do subsolo, determinando possíveis jazidas nas bacias sedimentares.
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A segunda fase é a perfuração, em locais determinados pelos registros da geologia e geofísica. Após o primeiro poço produtor, chamado de “poço pioneiro”, surgirá um campo de petróleo, sendo perfurados vários outros poços, numa malha determinada pelo trabalho da 1ª fase . Comprovando o seu valor comercial, implanta-se a terceira fase, a produção. O poço tanto pode ser bombeado mecanicamente como poderá surgir naturalmente, quando a pressão da jazida é suficiente para elevar o petróleo além da superfície e vencer a distância, num longo tubo chamado “linha de surgência”, entre o poço e a estação coletora.
O transporte é a quarta fase. O petróleo é bombeado por tubulações marítimas e terrestres, ou transportados por carretas e navios para as refinarias. Depois vem o refino. Um complexo de tubulações, tanques, vasos, torres, compressores, etc. que formam uma refinaria, encarregada de fracionar e processar o petróleo.

Fonte: Clube dos Empregados da Petrobras - CEPE
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